Entre Penas e Impressos: a experiência política de exilados liberais na Europa e no Brasil (1826-1837)

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Autoria: Luiz Gustavo Martins da Silva

Editora: 9788580544787
Páginas:
Publicação: 2022  1º Edição
Encadernação: Brochura

Sinopse

Pensar “O exílio é como uma longa insônia”, escreveu Ricardo Piglia em seu livro Respiração artificial (São Paulo: Iluminuras, 2006, p. 59). A crise dos impérios modernos e o início da construção dos estados nacionais, nas primeiras décadas do século XIX, significaram uma espécie de vigília coletiva. Milhares de pessoas se viram obrigadas a se deslocar de suas pátrias, ainda em formação, fugindo de perseguições políticas. O período das restaurações das monarquias na Europa, após o fim da expansão napoleônica (1814), teve como consequência a migração de grupos de liberais de diferentes condições econômicas, que se deslocaram de Portugal para países como a Inglaterra, a França e a Bélgica. Muitos desses exilados portugueses tinham como destino final o Brasil.

A movimentação desses seres “insones” pelo continente europeu, muitos deles tendo como destino a América, é o tema central do livro de Luiz Gustavo Martins da Silva, “Entre penas e impressos: a experiência política de exilados liberais na Europa e no Brasil (1826-1834)”. O fenômeno da migração, seja ela política, econômica, social ou cultural exige, por si só, uma abordagem espacial mais ampla. E Luiz Gustavo atende a esse requisito não se limitando à perspectiva transnacional, mas, também, apreendendo o fenômeno da migração, no caso, política, em uma perspectiva transcontinental.

Mas, qual era a origem dessa massa de imigrantes, tema do trabalho de Luiz Gustavo? Sua existência decorreu das disputas em torno da questão sucessória, que se inaugura com a morte de D. João VI, em Portugal, no ano de 1826, como nos explica o autor. Após um breve período de vigência da constituição (1826-1828), outorgada por d. Pedro I a Portugal, d. Miguel, a partir de um golpe de estado, é aclamado rei pelas cortes tradicionais do reino. O que se segue é um regime no qual o monarca se intitula “absoluto”, em que as garantias individuais são suspensas e no qual se verifica uma perseguição implacável aos seus opositores, acusados de acérrimos liberais e de defensores da constituição.

As considerações sobre o regime de d. Miguel, porém, não se encerram na apresentação da conjuntura política portuguesa que se estende de 1828 e 1834, o que não seria pouco em se tratando de um período da história escassamente abordado na historiografia brasileira. Ao contrário, Luiz Gustavo se propõe a caracterizar a natureza do regime contrarrevolucionário de d. Miguel a partir das considerações de Giorgio Agamben, sobre o estado de exceção. Ele não o faz com a pretensão de ser conclusivo, mas sim apontando a complexidade da interpretação e a sua potencialidade para a explicação de um regime político que sucede a uma revolução liberal. De uma experiência política que, apenas na visão de seus agentes, pode ser entendida como o retorno ao absolutismo. Discutir o regime de d. Miguel a partir da categoria de tumultos, incerta na teoria agambeniana de estado de exceção é, sem dúvida um caminho para desconstruir a narrativa dos contemporâneos do fato de que o regime reinstaura a tradição perdida do ancien régime. Temos aqui mais uma contribuição original e, porque não dizer, arrojada, que o livro nos apresenta.

A abordagem que o autor faz sobre a trajetória dos emigrados políticos do regime de d.Miguel, por sua vez, tem o poder de despertar no leitor uma identificação imediata com o drama dos imigrantes ao redor do mundo que nos é contemporâneo. A 3 de julho de 1828, o espantoso número de cerca de 12.000 pessoas é obrigado a partir para o exílio, de madrugada, deixando para trás seus lares, os parentes e amigos. São homens, mulheres, velhos e moços, crianças, de diferentes condições sociais. O que os espera, na longa travessia, é a exposição ao frio e à fome. Como é de se supor, e a documentação confirma, os “pobres e os ricos”; sofrerão de forma diferenciada as agruras da travessia.

Aos poucos, dos 12.000 que partiram, remanescem 8.000 mil, seja por desistência, seja pela prisão pelas forças miguelistas. O embarque para nações como a Inglaterra muitas vezes se frustra, aumentando o número dos que desistem pelo caminho e que retornam a Portugal. Os que conseguem embarcar, acabam permanecendo durante dias nos navios, padecendo com as altas temperaturas, a falta de ventilação. A ponto de os memorialistas, cujos relatos servem de fonte ao trabalho, compararem a situação dos emigrados aos escravizados embarcados na África, rumo ao Brasil. Bem, a essa altura, já se mostra como é original e importante a contribuição do autor à história dos exílios, sobretudo no contexto da Europa do sul no processo de formação dos Estados nacionais no oitocentos e de como a leitura do livro é imprescindível a quem se interessa pelo tema.

Não é possível precisar o número de emigrados que chegaram ao Brasil. Mas aqueles que o autor identificou, em sua maioria, envolveram-se nos debates políticos da época, dedicando-se ao periodismo. Essa atuação mostra as contradições no interior do grupo liberal, sobretudo daqueles que acusavam os emigrados de serem base de apoio de d. Pedro, principalmente com o fito de reaproximar o Brasil a Portugal, colocando em risco a independência da ex-colônia portuguesa na América. Saídos de sua pátria por serem adeptos do liberalismo, se viram, muitas vezes, acusados de apoiarem um rei que, nas penas dos jornalistas da época, era acusado de absolutista.

O periodismo, por sua vez, identifica esse grupo àqueles exilados que, em sua atuação na imprensa, em países como a França e a Inglaterra, desempenharam um papel preponderante na construção de uma nova narrativa da história nacional. Foram responsáveis por uma visão nacional e romântica da história pátria centrada no conceito de nação. O que nos leva a uma última passagem de Ricardo Piglia. Para o autor argentino, o desterro é “um espaço suspenso no tempo, entre dois tempos”, sendo que o êxodo preserva “as recordações que nos ficaram de nosso país” ao mesmo tempo em que desperta as expectativas de “como o país estará quando voltarmos”.

Esse “tempo morto, entre passado e futuro” seria a utopia”, do que conclui: “Portanto: o exílio é a utopia.” (PIGLIA, Ricardo. Respiração artificial. São Paulo: Iluminuras, 2006, 59). Uma descrição que pode valer para os exilados pesquisados por Luiz Gustavo. Alimentavam a utopia na luta contra a tirania, na construção de um país no qual a monarquia, antes absoluta, seria limitada pela vigência de uma constituição. “Entre penas e impressos” é uma obra fundamental que mostra do que é capaz a nova geração de historiadores, que não se limitam a recortes espaciais restritos e aceitam o desafio, imperioso na atualidade, de abordar seus temas em perspectiva global.

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